Archive for junho, 2010

Estudo vê ligação entre câncer e uso de remédio para o coração

Um estudo feito nos Estados Unidos sugere que os usuários de um tipo de remédio comumente usado para tratar problemas cardíacos e pressão alta têm uma maior possibilidade um pouco maior a desenvolver câncer.

Milhões de pessoas usam o tipo de remédio analisado

No levantamento, divulgado na última edição da publicação científica The Lancet Oncology, os cientistas do University Hospitals Case Medical Center, na cidade de Cleveland, fizeram um cruzamento de informações de estudos sobre casos de câncer de pulmão, próstata e mama de 68 mil pacientes. Também analisaram informações sobre novos diagnósticos de câncer em 61 mil pessoas e registros de mortes por câncer de outros 93 mil.

Eles concluíram que, entre os pacientes que tomavam uma classe de medicamentos conhecida como bloqueadores dos receptores de angiotensina, a probabilidade de desenvolver câncer chegou a 7,2%, enquanto que em pacientes que não tomaram esses remédios, a possibilidade foi calculada em 6%.

Quando investigaram mais a fundo que tipos específicos de tumores estariam associados ao medicamento, verificaram uma predominância maior de casos de câncer de pulmão.

Câncer

Os bloqueadores dos receptores de angiotensina são recomendados principalmente para condições como pressão alta e insuficiência cardíaca.

Em 2003, testes com um remédio desse tipo revelaram um aumento nos riscos de morte por câncer, mas não ficou claro no período se o resultado era significativo ou não.

Não está claro por que bloqueadores dos receptores de angiotensina aumentariam os riscos de câncer, mas alguns estudos com animais indicam que talvez haja uma associação entre a droga e o crescimento de vasos sanguíneos em tumores.

Embora o aumento constatado seja modesto, o cientista responsável pelo estudo, Ilke Sipahi, disse que, como as drogas são usadas em grande escala, existe um potencial de muitos casos adicionais de câncer.

Com base nos resultados, os cientistas responsáveis pelo estudo pedem aos órgãos responsáveis pela regulamentação do uso de remédios que realizem novas investigações para analisar a relação entre o medicamento e o câncer.

Eles recomendam, porém, que os pacientes não deixem de tomar a droga. Em caso de preocupação, devem procurar um médico.

Tim Chico, vice-diretor da NIHR Cardiovascular Biomedical Research Unit da University of Sheffield, no Reino Unido, disse que o estudo não provou a existência de um vínculo definitivo entre o câncer e a droga.

Ele enfatizou que medicamentos que baixam a pressão salvam vidas.

25 de Junho 2010

EUA começam a vender exame que detecta cedo câncer de pulmão

Começa a ser vendido nesta semana nos Estados Unidos, pela primeira vez, um exame de sangue para detectar o câncer de pulmão que permite verificar a presença da doença meses ou mesmo anos antes dos métodos

O teste detecta a presença da doença antes que os métodos comuns

convencionais.

Ele foi desenvolvido nos últimos 15 anos por equipes da Universidade de Nottingham, na Grã-Bretanha, e do Kansas, nos Estados Unidos.

O exame, batizado de Early CDT – Lung, mede a resposta imunológica a proteínas associadas à doença muito antes de ela estar num estágio crítico.

O líder da equipe de Nottingham, John Robertson, diz acreditar que o custo relativamente baixo do exame, que deve ser comercializado nos Estados Unidos a cerca de US$ 420 (aproximadamente R$ 760), deve permitir que ele seja usado em vários países.

Outros tipos de câncer

Um dos principais problemas do tratamento do câncer de pulmão é que quando o paciente apresenta os sintomas, a doença já se encontra em um estágio avançado.

“Essa célula cancerígena ou essas células cancerígenas têm proteínas um pouco diferentes (das normalmente encontradas no corpo), e as pessoas são muito sensíveis a elas. Elas têm respostas imunológicas a isso e essa resposta que nós somos capazes de detectar (com o exame)”, disse Robertson.

O cientista disse que o exame tem atualmente 40% de chance de identificar o câncer e que esta porcentagem deve subir à medida em que mais proteínas cancerígenas sejam identificadas.

Robertson disse que, teoricamente, no futuro o exame poderá ser adaptado para detectar também outros tipos de câncer.

“Nós já encontramos indícios em pesquisas que todos os tipos de tumores que verificamos – câncer de pulmão, câncer de mama, câncer de ovário, câncer de intestino – induzem a respostas imunológicas nos pacientes. Assim, no futuro será possível identificas antígenos específicos que sejam ligados a um tipo específico de câncer.”

24 de Junho 2010